Classificado como comédia, "Histórias de Cozinha" não arranca gargalhadas em nenhum momento: mas provoca sorrisos, mais interiores do que da boca para fora.
A época -a Europa do pós-Segunda Guerra, vitaminada pelo dinheiro do Plano Marshall, no limiar da era do progresso tecnológico- é tão apropriada quanto o cenário gélido em que se passa a história. E a cozinha não deixa também de ser um set sugestivo.
A única refeição que presenciamos prescinde da habilidade e dos equipamentos culinários (são embutidos e enlatados, comidos frios -salsichão, arenque em conserva, queijo, salsicha, mostarda, pão), dentro portanto do contexto do frio pragmatismo comentado pelo filme.
No entanto, a cozinha, palco original do ato de comer junto, simboliza sempre a boa convivência. O que faz dela o local ideal para, a partir de uma pitada de sal, começar a ruir o universo de "felicidade ideal" montada de forma calculista em laboratório.